Idéias Insanas Talvez...

Duas estudantes de Psicologia escrevendo idéias,apenas idéias, insanas talvez, ou não...“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo"Espanca

Idéias Insanas Talvez...

Duas estudantes de Psicologia escrevendo idéias,apenas idéias, insanas talvez, ou não...“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo"Espanca
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Terra Blog

11.02.08

Ressaca

Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.


Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.


Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.


Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.


Por exemplo:


Um cálice de azeite antes de começar a beber - O estomago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.


Tomar um copo de água entre cada copo de bebida - O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.


Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta - Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.


Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.


Uma cerveja bem gelada na hora de acordar - Por alguma razão o método mais popular.


Canja - Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar. No entanto, muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.


Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no depósito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.


A pior ressaca era de gim.


Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.


Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.


Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.


Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.


Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.


Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.


Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.


Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.


De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.


Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.


Um brinde.


E um Engov.

 

(Luís Fernando Veríssimo)

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  • Postado em 10:07:15

06.02.08

Indignação

Estou aqui para lhes dizer que estou indignada com várias coisas. Em especial,a televisão.Quem vê “Big Brother”?,putz vocês já repararam como o Pedro Bial puxa saco do Marcelo chamando ele de "Dr. Marcelo"?.Ele é "Dr." do lado de fora,como o Fernando é gerente aqui fora,como a Nathália é estudante aqui fora,como a Bianca é produtora de moda aqui fora,mas lá dentro?,ah,eles estão na mesma cilada!,todos são iguais independente da profissão de cada um.Quantos psicólogos já passaram por lá e ele nunca os tratou de "Dr."?,quantos fisioterapeutas não estiveram lá ele não os tratou de "Dr."?.Vamos com calma Bial!,"Dr." é aqui fora,lá ele não passa de mais um entre os outros.Esse apresentador quer nos conrromper a aceitar o "Dr.Psiquiatra" e fazer dele o novo vencedor do Big Brother. Mas enfim,a sociedade é hipócrita e vangloria os mais poderosos,mas enfim,Freud não explica,mas Jurandir Freire explica... Um abraço a todos!.
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  • Postado em 21:32:33

26.01.08

Édipo

“Ó cidadãos de Tebas, pátria nossa! Vede bem Édipo, decifrador dos terríveis enigmas! Quem não invejava a sorte de tão poderoso homem? E agora vede, em que abismo de desgraças submergiu! Por isso, não tenhamos por feliz homem algum, até que tenha alcançado, sem conhecer doloroso destino, o último de seus dias.”

 

Filho do rei de Tebas, Laio, a quem um oráculo dissera que mataria o seu pai e casaria com a sua mãe, foi abandonado no monte Citéron, com os pés perfurados por um prego e atados um ao outro, o que provocou a sua deformação (daí seu nome, que em grego significa “o de pés inchados”). Mas sobreviveu, tendo sido recolhido e criado pelo rei de Corinto, Políbio.

Chegado à idade adulta, recebeu do oráculo de Delfos a revelação da maldição que pesava sobre ele e o conselho de se exilar o mais longe possível da sua pátria. No caminho do exílio, teve uma altercação com um desconhecido, e o matou; o desconhecido não era outro senão o seu pai. Chegou depois, sem saber que se tratava da sua verdadeira pátria, à região de Tebas onde um monstro cruel, a Esfinge, devorava todos os que por ali passavam e se mostravam incapazes de resolver os enigmas que ela lhes propunha. Édipo resolveu o enigma a que ela o submeteu (“Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite? ” Resposta: o homem, que quando criança, caminha sobre os quatro membros, quando adulto sobre dois e quando velho apoiado numa bengala); depois, a Esfinge se matou e ele foi chamado pelos tebanos, reconhecidos, a sentar-se no trono de Laio e a casar com Jocasta, a viúva deste- e por conseguinte, a sua própria mãe. A predição do oráculo estava, assim, realizada, sem que o infeliz o soubesse, e embora tivesse feito tudo para o evitar não conseguindo, porém, escapar à lei inexorável do Destino.

Mais tarde a cidade foi assolada por uma epidemia de peste, e Édipo mandou que se descobrisse qual o crimonoso que poderia ter suscitado assim a cólera dos deuses. Ao descobrir, horrorizado, que esse criminoso não era outro senão ele próprio, e não conseguindo encarar a verdade, causou a si mesmo a cegueira, enquanto Jocasta se suicidou; foi então perseguido pelos seus filhos Etéocles e Polinice, e retomou o caminho do exílio, desta vez acompanhado por sua filha, Antígona, até a aldeia de Colona, perto de Atenas, onde desapareceu de forma misteriosa.

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  • Postado em 17:53:20

02.01.08

Amigos

Amigos
(Vinícius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários. De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, trêmulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando
comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os

MB

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  • Postado em 02:39:42

01.01.08

Primeiro dia do ano

Eu queria beber, beber até te esquecer
Esquecer todos,
Todos q amei,
Todos q amo,
TUDO o quero
TUDO o q sinto.
Meu tio pediu para mim em 2008, juízo e estudo;estudo eu posso fazer por onde,mas juízo,não sei,não sei quem eu irei amar...
De vez em quando eu me sinto meio covarde,covarde por não aceitar muitas coisas do meu coração
Resuscitei meu rosto,o rosto q eu tinha,aquele de dor e de alegria
Espero o ter para sempre
Eu te amo meu rosto,meu corpo sacrificado
Sacrificado por emoções
Por ti,minha amiga,tu sabes e eu também, quem.
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  • Postado em 00:19:17